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A Seca

 À E spera da Chuva Quando a seca chegou de vez, meu avô Joaquim Passos ainda não imaginava que sua vida estava prestes a mudar para sempre. Os fatos aqui descritos foram contados por minha mãe, Maria Leandro,  que tinha apenas 6 anos em 1932, quando a chuva abandonou de vez o sertão. Os fatos ela ouviu da mãe, dona Nenzinha, e das pessoas mais idosas, anos depois. Os detalhes dos horrores vividos à época em que se retiraram da fazenda do pai em Lavras de Mangabeira, estavam marcados na mente da  família. (1) (2) Joaquim Passos era dono de uma grande fazenda, com plantações, criação de animais e muitos colonos. Era descendente de holandeses estabelecidos no Ceará desde o período das invasões no século XVII. (3) (4) Embora tenham sido derrotados e expulsos após a Batalha dos Guararapes, em 1654, os holandeses já haviam constituído famílias no Nordeste brasileiro nos 30 anos de ocupação. Joaquim tinha todas as características físicas de holandeses. Na família, a agr...
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O Sogro

MARIA, DO CRATO PARA O MUNDO Nos idos de 1945, Dona Nenzinha e os 4 filhos esperavam o vapor em Petrolina (Pernambuco), para fazer a travessia do Rio São Francisco até Juazeiro na Bahia, onde estava o marido, seu Joaquim Passos, quando a filha Maria fugiu.  Maria não estava feliz.. tinha sido obrigada a largar o noivo que amava, um mestiço de índio, fazendeiro rico, grande, forte, cabelo preto escorrido até os ombros,  aparência indígena mesmo,  sem sequer se despedir dele. A mãe, dona Nenzinha, apenas ordenou, no mesmo dia da viagem, que fizessem as malas pois estavam de partida para encontrar o pai. A princípio seu Joaquim, pai de Maria, tinha aceito Zé Bento como pretendente. O noivo já tinha separado um cavalo branco e mandado fazer a sela especialmente pra Maria. Mas seu Joaquim não gostava muito da aparência do caboclo, e talvez se sentisse um pouco humilhado pela superioridade financeira do genro, já que ele próprio tinha perdido todo o patrimônio na sêca de 7 anos...

O LOBISOMEM

A Caminho do Forró  Joaquim Passos era homem que gostava de diversão. La pelos idos de 1920 era dono de uma fazenda imensa em Lavras de Mangabeira, Ceará, região do Cariri,  terra onde nasceu Padre Cícero. Trabalhava duro, mas gostava de dançar forró .  Neto de Holandeses, herdeiro, olhos azuis profundos,  tinha se casado com a bela Maria Suares de apenas 13 anos de idade, ele com 26. Agora que o casamento estava indo bem, a levava para dançar sempre que podia.  A fazenda de Joaquim Passos era muito grande, havia colonos morando nas terras para a manutenção das plantações de grãos e criação de animais. Produziam para comercializar e para sobrevivência das famílias locais. Era tão grande a fazenda, que na época da colheita  ele contratava o dobro de mão de obra itinerante e os acomodava da melhor maneira.  Toda semana mandava matar boi, porcos e muitas galinhas para alimentar os trabalhadores.  Era um bom patrão, gostavam dele. Embora rude, tinha ...

Sobre a brevidade da vida

Sêneca A maior parte dos mortais, Paulino, queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz e rápido, de forma que, à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos em meio aos preparativos mesmos para a vida. E não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta deste mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas também de homens ilustres. Daí o protesto do maior dos médicos: (2) “A vida é breve, longa, a arte.” Daí o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida, que eles sobrevivem por cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um limite muito (3) mais próximo.” Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das ...