Há décadas atrás, ouvi essa estória que me tocou muito. Era sobre um homem do campo, pequeno agricultor nordestino.
Zé estava
cansado de trabalhar e não ter dinheiro. Tinha uma terrinha, plantava, colhia..
mas o dinheiro era pouco, nunca sobrava pra juntar e realizar seu sonho, que
era comprar um caminhão e ter uma pequena transportadora. "Como
caminhoneiro, aí sim! vou ter mais dinheiro" pensava
ele. Sempre que olhava pra mulher e as crianças sentia um nó na garganta.
Aquela pobreza lhe era muito penosa. Os filhos descalços, a comida mal dava pra
todos, a mulher não tinha um vestido novo nem pra ir à missa.
Os anos passavam,
ele se esforçando cada vez mais.. e só dava pra sustentar os filhos que
chegavam, afinal diversão de pobre é fazer mais filhos. Zé via as notícias na
tv de tubo, que só não era mais antiga porque os aparelhos só chegaram na cidade
por volta de 1954. Falavam muito da tal erva pela qual pagavam muito dinheiro!
era proibida, mas.. e aquela dinherama toda?
“Vejam só..
essa peste muita gente quer, a polícia pega aqui e acolá, mas o povo compra o
que aparecer! e os caras que vendem ficam muito ricos, minha gente!” Zé
caraminholava: "oras, alguém planta, outro vende.. e o povo corre atrás
mais que da salvação!"
Mais uma
colheita e o aperto junto. Zé cansou daquilo, começou a pensar em plantar a
erva proibida, mas que dava muito dinheiro. Como qualquer pessoa do campo, gente
simples, comentou com amigos e parentes. Zé começou a falar pro povo que tava
querendo plantar a tal erva. "Ah, vou plantar, depois vou à
cidade, vendo e compro meu caminhão." Os amigos o aconselhavam: “Zé..
não estrague tua vida! Isso dá cadeia, Zé, pare com essa loucura.”
Ele ponderou
por meses e decidiu se arriscar. Pegou informação sobre a erva onde possível. Decidiu
pela gleba onde plantar, bem longe da casa, no meio do mato. Preparou a terra,
comprou as sementes e cuidou. Não demorou pra ter grande quantidade.. no tempo
certo colheu, preparou e esperou pela fermentação. Então prensou o tal mato e
encheu duas malas grandes com a mercadoria. Pensou consigo mesmo: "agora
eu compro meu caminhão, seja o que Deus quiser. Vou à Salvador vender essa
carga."
Oras, Zé
tinha que atravessar de balsa para chegar à capital, Salvador. E na balsa tinha
fiscalização, mas ele estava decidido. Embarcou com as malas, nisso chega a
polícia abrindo as bagagens do povo. Zé cada vez mais apavorado.. mas homem que
é homem vai até o fim nas suas decisões. "Que se dane! Se pegarem,
é o meu fim, mas que se dane!"
Os polícias se
aproximam dele, o conheciam, sabiam que era agricultor e honesto. O sargento
pergunta: "e aí Zé? O que tem nessas malas??"
Zé pensa que
tava lascado, mesmo, e responde: “é m@conh@!!" Os
polícias começam a dar risada comentando: “Ah esse Zé, vou te contar,
viu! m@conh@? Eu acredito, cabra doido!” E se vão sem abrir as malas. O coração de Zé pulou
loucamente! ele passou pelo maior apuro, mas conseguiu seu
intento.
A mercadoria
já tinha destino certo. Ele vendeu, pegou seu dinheiro realmente suado e
transpirado, voltou pra sua cidade e comprou o sonhado caminhão. E viveu muito
e feliz dirigindo seu caminhão pelas estradas poeirentas. A vida era muito melhor como caminhoneiro, um pequeno transportador. Zé contava a aventura rindo com os amigos. Nunca mais Zé plantou aquilo!
Deus o livre, não era sua intenção se tornar um criminoso!
Brasil - 2024
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